segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A Maluquice Inata

Desafio da Fernanda Faustino
Palavras Impostas: Cão, contentor, exaustor, micro-ondas e rio
Premissa: A demência

Quando somos pequenos e fazemos parvoíces é engraçado, mas quando essa palermice latente continua, mesmo depois de crescer, torna-se preocupante. Não é que esteja muito preocupado com isso, mas a minha Mãe está. Desconfio que ela tenha vergonha dos meus momentos de loucura. É só uma desconfiança, não acredito nisso, mesmo quando ela diz que só é a minha mãe porque me encontrou num contentor, e como estava junto de uma ninhada de gatos dos quais é alérgica, preferiu ficar comigo. Eu sei que é mentira porque vi fotos minhas recém-nascido. O meu irmão também já me contou essa historia, mas acho que ele está a mentir. Como é que ele sabe? Ele nasceu 10 anos depois de mim. Será que ele tem uma máquina de viajar no tempo e assistiu a tudo? Não pode ser! Se tem um transporte desses, não percebo porque ele usa o meu carro constantemente.

Há muita gente que acha que sou maluco e isso não faz sentido. Dizem que falo sozinho. Estupidez! Como posso estar a falar sozinho, se estou sempre acompanhado do Fred. Eu sei que ele é um rapaz de poucas falas e mal se da por ele, mas daí a dizer que estou e falo sozinho. Falando do Fred, há muito tempo que já não o vejo. Desapareceu mal comecei a tomar a medicação. Estranho? Não? Lembro-me duma vez em me chamaram a atenção por estar novamente a falar sozinho. Pior ainda! Estaria a falar com o exaustor! Eu não sou maluco! Eu sei que aquilo não fala. É um objecto! Estava a falar com aquelas pessoas microscópicas que trabalham nos exaustores. Precisava de água quente e achei que incentivá-las seria bom. Um reforço positivo é sempre agradável. Não deve fácil trabalhar naquelas condições, ouvindo as pessoas reclamar sempre que o exaustor não acende. O que é normal, visto que os esquentadores é que se acedem e podem aquecer a água. E depois eu que sou maluco.

Há dias, estava a olhar para o micro-ondas quando alguém falou e distraiu-me. Fiquei chateado. Perdi o fim da história. Para mim aquele electrodoméstico é um verdadeiro contador de histórias. Tudo bem que o fim é sempre o mesmo: aquece. Mas por vezes descongela. E há vezes em que descongela enquanto está a aquecer. É incrível! Estão curiosos em saber qual é o enredo que tanto aprecio e é normal. Sempre que o ligo, nasce uma aventura na qual o mistério está em volta do tempo. Cria-se uma atmosfera em que o suspense está em descobrir em quanto tempo o que lá colocamos vai ser descongelado. E essa aventura pode demorar horas. É como se estivesse a assistir a um filme sobre o
arqui-inimigo da Elsa de Frozen.

Como podem ver de maluco não tenho nada. A única vez que fiz uma maluquice foi quando mergulhei no rio, e em pleno inverno, para impressionar uma jeitosa. Mas fiquei com a impressão que ela ficou mal impressionada. Esqueci-me a água fria, ou melhor gelada, tem um poder diminutivo. Posso ter ficado diminuto nalguns sítios, mas fiquei com a pele e os músculos (menos aquele) muito bem tratados. Como vos disse, não sou maluco, e isso nunca mais aconteceu. E se acontecer vou ter cuidado. Desta vez não vou todo nu!

Há quem diga que a minha maluquice é inata, e eu concordo, mas também foi provocada. E por quem? A minha Mãe é culpada de tudo! Quando se fica demasiado tempo na água podemos ficar com danos cerebrais irreversíveis, e eu fiquei mais 3 dias que o suposto mergulhado na barriga da minha progenitora. 3 dias! Eu poderia ser outro! Para além disso, quando tinha 6 meses caí do sofá. Está tudo explicado! E depois admiram-se que vá passear o cão durante 3 horas, a espera que ele se digna a fazer as suas necessidades, e que volte a casa chateado porque para além de ele ter feito nada, tive de o puxar pela trela para regressar e que mal abre a porta, oiço a minha família a dizer: “Onde é que foste? O cão está farto de estar a tua espera! Sabes que tens de ir passeá-lo!”
O Cronista da Parvoíce ©

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Os Benefícios do Instagram para a Saúde Mental

Desafio do Bruno Ferreira
Palavras Impostas: aipo, carinho, framboesas, gajas nuas, gengibre, nalgas e tumescência.


Mais que uma ferramenta indispensável para quem gosta de fotografia, o Instagram, ou Insta, tem propriedades únicas que beneficia a saúde mental masculina. Quais? Como? Perguntam vocês e muito bem. É simples! Através de estímulos! Sempre que uma jeitosa publica uma foto, a mente masculina transfigura-se e, do nada, solta-se a javardice recalcada. Não temos culpa! É inevitável! É o chamado “Efeito A.I.P.O. (Atracção Implícita Por Ordinarice)”, que transporta uma foto inofensiva para um cenário erótico-badalhoco.

Sempre que uma mulher publica uma foto hesito em mostrar o meu apreço pela mesma. Assusta-me o facto de poderem pensar coisas erradas de mim. Tenho medo que confundam uma demonstração de carinho com um ato profundamente javardo. E é algo que não pode acontecer. Um javardo como eu, não pode ser confundido com apreciador fotográfico. Está explicado o facto de só gostar de fotos onde as modelos estão de biquíni.

O Insta é um bem precioso para sustentação criativa do género masculino. A mente masculina possui a capacidade de transfiguração mental e consegue transformar framboesas em morangos. E seria muito mais fácil transforma-las em amoras, visto que têm um formato semelhante, mas quando alugamos quartos naqueles motéis discretos, a fruta que está a disposição para fazer não-sei-bem-o-quê são morangos e não framboesas ou amoras. Como sou uma pessoa saudável como sempre os morangos e deixo o chantilly. Eu nunca frequentei esse tipo de sítios. Contaram-me! Sempre que uma foto é publicada essa capacidade é testada e a nossa mente estimulada.

Se vocês procuram estímulos badalhocos, não seria mais fácil ver sites com gajas nuas? Talvez! Mas não estamos aqui para facilidades. Estamos a cuidar da nossa saúde estimulando o cérebro e não o Júnior. O objectivo é usar a nossa criatividade e imaginação na pratica do desnudamento mental. Se já estiverem nuas retira a magia da coisa e temos de procurar a casa-de-banho mais próxima. relembro-vos também que usamos o Insta no telemóvel, ou seja, ver gajas nuas no mesmo implica muito mais custos. Sou exigente, se houver nudez, quero movimento, logo quero vídeos e com isso lá se vão os dados moveis. Infelizmente nenhuma operadora disponibiliza tráfico gratuito para sites como o Redtube, Pornhub e afins. Eu nunca visitei esse tipo de sites. Contaram-me!

O Insta é uma espécie de gengibre que estimula a nossa mente e a mantém o seu bom funcionamento. Desde que uso essa rede social a minha mente está muito mais disciplinada, a minha criatividade aumentou exponencialmente e consigo ser muito discreto sempre que vejo um bom rabo feminino. É muito raro ser apanhado enquanto pratico chapadinhas mentais nas nalgas.

Uma ressalva. Usa, mas não abusas do Instagram. Demasiadas fotos num curto espaço de tempo podem dar contigo em doido, perdes o controlo e aí sim, o Júnior vai manifestar-se. Quanto isso acontecer… Casa-de-banho… É curioso estarmos a falar disso, porque estou perante um caso de tumescência e já que vou até a casa-de-banho, acho que vou aproveitar e levar o PC assim vejo uns vídeos.


O Cronista da Parvoíce © 2018

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A Canícula Polar

Desafio do Wait aí uma beca
Palavras Impostas: bidé, distribuidor, pónei, sacarose e xilofone

Nunca fui grande apreciador do mau tempo e tem uma explicação lógica e do foro desportivo. As intempéries obrigam-me a fazer algo que não gosto muito: correr. “Mas tu gostas de jogar a bola e no futebol tens de correr! Tenho se não poder ficar a mama e quando tenho de correr não faço. O meu pónei mental, o Faísca (ele tem um relâmpago e o numero 95 tatuado no lombo), é que cavalga até a bola. Essa é razão de por vezes não chegar a tempo de segurar o esférico. Monta-lo, verificar se está tudo ok para prosseguir a marcha… Enfim um processo demoroso. 
 
A verdade é que padeço de canini spiritus, o chamado espírito canino, corro sempre atrás de algo, uma bola por exemplo. Antigamente perseguia os carteiros e alguns carros, mas deixei-me disso. A medicação também ajudou. Também corria atrás das moças até aquela ordem do tribunal e o encontro com o punho daquele namorado furioso. O gajo era um autentico distribuidor de socos.
“Mas qual é a relação do mau tempo com a corrida?” Calma, estou quase a chegar ao ponto. O 


Faísca está ocupado e tenho de ir por mim mesmo. É agora! Já cheguei! Quando chove corro para me abrigar e quando está frio corro para me aquecer. Simples?! O único senão é que sempre que faço esse tipo de fuga climatérica tenho de ingerir sacarose liquidificada (água com açúcar). E como não estou habituado a correr fico com tontura depois. “Porque é que não montas o Faísca?” Há um pormenor que talvez vos escapou: o meu cavalo anão é imaginário! E fazer perguntas sobre algo que não existe não faz sentido. O problema é que o meu fiel mini corcel está sempre a comer e tanto esforço físico pode provocar-lhe uma congestão. Para alem que só gosta de andar ao sol. É como eu. Dê-me sol e fico contente.

O sol traz-me felicidade por vários motivos, mas o principal é a influência determinante que ele tem sobre a indumentária feminina. Quanto mais sol, menos roupa. E nem é preciso estar muito calor, bastam uns raios solares mais visíveis e o objectivo primário dos homens, despi-las mentalmente, está facilitado. Sendo que é dificílimo desnudar alguém que está protegido por aproximadamente sete peças de vestuário. Sim! Eu contei! Esse desnudamento nem sempre corre bem. Tento ser discreto, mas a discrição torna-se difícil quando somos apanhados. Eu tenho um problema, entre inúmeros outros, sempre que estou a despir alguém, literal ou figuradamente, toco xilofone. Não consigo evitar.

Mesmo sendo um fervoroso opositor do frio, e ultimamente tem estado um verdadeiro calor soviético, uma canícula polar, só pactuo com esse abaixamento de temperatura quando faz com que algumas senhoras permanecem totalmente tapadas. Eu sei que La Bruyère disse: “não existem mulheres feias, só existem aquelas que não sabem fazer-se belas”, mesmo assim para esses B.I.D.É.s, mulheres com Beleza Interior Demasiado Évidente (évidente = quando é mais que evidente e até de uma forma exagerada), e no intuito de poupar os olhos sensíveis (e farto de despir lindas damas), a canícula polar deveria reinar por muito tempo.

Afinal não! Gosto mais de calor! Volta Sol! Estás perdoado!

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

As Qualidades Oculares Femininas: Uma Espécie de Ode ao Olhos da Ana

Desafio do Bruno Ferreira
Palavras Impostas: Vesícula, retroescavadora, traineira e pancreatite



Género Humorístico: Humor Absurdo


É mais forte que nós. Direi mesmo que é uma questão genética. Ou até de sobrevivência. Um homem que não olha para uma mulher não é homem. “Ao dizer isso estás a ser homofóbico!” Nada disso! No momento do avistamento feminino, os intentos masculinos não são obrigatoriamente erótico-badalhocos. Pensando bem! São quase sempre! Mas há quem esteja a vislumbrar uma mulher para uma apreciação de moda. Esta categoria de analista é bem menor. Há muitos mais javardos por aí.

Como homem tem a obrigação moral de olhar para as mulheres a todo o momento. O problema é quando alguém surge, a namorada, para nos impedir e limitar o nosso campo de observância. Por isso, e durante toda a minha viva tenho vivido com o pânico de um dia, um dos meus relacionamentos resultar. Não vos passa pela cabeça como é preocupante, estar na eminência de ser bem sucedido no amor. Não é que me dê mal com o compromisso. Mas o facto de alguém me estar constantemente a perguntar: “Estás a olhar para onde?”, assusta-me um pouco. 

Sim, porque ela sabe perfeitamente para onde estou a olhar. Mesmo com a minha visão condicionada, não deixo de ter a capacidade de deslindar belezas estrondosas que o destino colocou muito amigavelmente no meu caminho. Com os anos criei alguns subterfúgios. Sempre que passa uma beldade, eu simulo uma dor. A minha namorada fica aflita e vai pedir ajuda. E eu fico a olhar para elas. Da última vez queixei-me da vesícula e disse-lhe: “Sabes bem que tenho aquele problema na vesícula!” Ela ficou assustadíssima: “O problema do pâncreas está a afectar a vesícula?! É melhor ires ao hospital. Como também te queixas das amígdalas e dos rins é mais seguro fazeres uma ablação disso tudo”. Resultado: Acabei com ela! Mas fui operado na mesma! Não podia desperdiçar a oportunidade de observar enfermeiras diariamente!

Há dias, numa conversa com uma amiga, a Ana, ela fez uma estranha afirmação: “Já te topei a olhar para as gajas! És um autentico rebarbado!” Rebarbado!? Não gosto desse termo. Sou um observador nato! Isso sim! Mas observo qualquer coisa. Abstenho-me se a observação tiver alguma conotação marítima. Baleias, traineiras, isso não é para mim. Há demasiado para observar e processar e tudo que é em exagero é prejudicial a saúde! Em casos pontuais, e principalmente no verão, observo mais perto do mar. Mas limito-me ao areal. “E as sereias? Também são seres marítimos!” Já viram alguma? Eu nunca! E é um risco! Uma sereia pode ser metade mulher e metade baleia!

Quando olho para as mulheres, quando as observo, estou somente a procura das suas
qualidades que estão muitas vezes dissimuladas por baixo de outras… personalidades. E nesse sentido, para melhorar essa mesma procura, é possível que me veja a circundar a observada. É um gesto meramente cientifico. É chamado “Método da Retroescavadora”. Quando era miúdo nunca sabia qual era a parte da frente da maquina, então, e para ter uma melhor perceção andava a volta dela. Fazendo uma análise mais completa. É o que estou a fazer quando ando a volta de uma jovem. Estou a observa-la e a ficar enjoado. Andar a roda deixa-me indisposto. Posso tomar medicação para essa indisposição, mas com a quantidade de mulheres que existem, teria de andar medicado constantemente. E não sou drogado. Se bem que isso é de homem (dizem alguns) e observar mulheres é para homens.

Voltando a conversa com a Ana, durante a mesma conversa ela perguntou-me a algo que me deixou quase sem resposta: “Quando olhas para mim, o que te atraí mais?” Respondi o que qualquer um teria respondido: “O teu par… de olhos… São lindíssimos!” E com tanto para elogiar, o facto de ter valorizado a sua parelha ocular foi bastante pertinente. Nem todas têm um par visual para ser elogiado. 

Há mulheres com um olho. São difíceis de encontrar, mas existem. Podemos encontra-las na biblioteca, na secção mitológica, nos livros sobre ciclopes. Não gosto muito de falar com elas, acho que são surdas e tenho de gritar para me ouvirem. E na biblioteca não se pode fazer barulho. Ou são surdas ou armam-se em deusas. Falo com elas e nunca me respondem. As outras usam palas, vivem em alto mar e enveredaram por uma carreira na pirataria. Mas como enjoou facilmente e faço alergias aos papagaios nunca me envolvo com esse tipo de mulheres.

“Se os meus olhos são assim tão bonitos, explica-me porque é já te apanhei ao olhar para o meu peito?” Eu nunca olhei para o peito dela! E nem de outras! Pode ter acontecido uma olhar preocupado para a caixa torácica, mas só porque parecia com problemas respiratórios. Ou porque o brilho dos teus olhos obrigou-me a olhar para baixo. Já sei o que vais perguntar o vais perguntar a seguir. Vais perguntar de que cor são os teus olhos. Isso interessa! A verdade é que os teus olhos, demasiados belos para serem visto por mero mortal me obrigam a contemplar outras partes do teu corpo. A culpa é dos teus olhos.


Já agora! De cor são eles?

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quinta-feira, 5 de maio de 2016

A Viciação Chocolateira

Desafio da Rita Marcelo

Tenho um vício terrível! Não consigo resistir ao chocolate! Se vir um pedaço dessa guloseima não descanso enquanto não a comer. E isso só te dá com o chocolate?! Perguntam vocês. E com as gajas? Pois… Primeiro acho que o termo “gajas” é depreciativo para o género feminino e não é demonstrativo da beleza e inteligência das mulheres (O quê?! Agora é feminista?! Bateste com a cabeça?! Nada disso! Imagina que alguma jeitosa lê isto. É sempre bom manter uma imagem coisa e tal!). Segundo, passa pela cabeça de alguém eu comer “gajas”? Eu não sou canibal! Por último, visto a minha condição física actual, acho que é perceptível que a minha relação com o chocolate tem corrido melhor do que com as “gajas”. Portanto, vou jogando pelo seguro e vou continuando na minha aposta achocolatada.

Esta viciação chocolateira, como costumo chama-la, não tem sido fácil de gerir e digerir. A sua ingestão massiva trouxe-me alguns dissabores. Felizmente não faço alergia e não é pelo chocolate que tenho engordado. Não é só…se bem que… Não vamos falar das minhas formas. É melhor não. Fico deprimido e a depressão dá-me vontade de comer… chocolate. Na tentativa de resolver esse meu problema…não é bem um problema, uma vez que temos uma excelente relação… Mas mesmo assim, decidi inscrever-me no Chocoláticos Anónimos. Foi pior a emenda que o soneto! Nessas reuniões descobri que tenho um Síndrome de Tourette Achocolatado.

Para quem não sabe, o S.T.A. manifesta-se com uma espécie de grito de Ipiranga, mas a espectacularidade do mesmo. E digo isso, sem saber se é espectacular. Mas voltando a essa patologia peculiar. Sempre que vejo chocolate, ouço ou leio essa palavra, solto um grito: “CHOOOOOCLAAAAATEEEEE!” Confesso que pode ser incomodativo, principalmente para quem me acompanha. Direi mesmo que esta condição é prejudicial para a minha vida social. Desde que padeço de S.T.A. não posso ir ao Festival Internacional de Chocolate de Óbidos e passei a ser pessoa non grata nos super e hipermercados na altura da Páscoa. Sei que ouvir gritos achocolatados incomoda, mas francamente, um “CHOOOOOCLAAAAATEEEEE!” impedir-me de frequentar um local parece-me demais. As pessoas queixam-se por tudo e por nada.


O que me entristece mesmo, é a pseudo oportunidade perdida com a Rita. Há anos que tento convida-la para sair. E a resposta era sempre a mesma: NÃO! Queres ir beber um café? Não! Queres ir jantar? Não! Queres ir ao cinema? Não. Um dia, e não sei se por pena, ou porque tinha batido com a cabeça, aceitou. Eu sei que ela não estava embriagada porque assim que a vi pedi-lhe para soprar no balão. Ando sempre com um. Pode dar jeito. E como estava bom tempo, com um solinho bem agradável, decidimos passear. Corria tudo às mil maravilhas, mas o drama aconteceu. Maldita a hora que sugeri comer um gelado. Assim que chegou o cornetto, ouviu-se um “CHOOOOOCLAAAAATEEEEE!”. Ela levantou-se e nunca mais a vi. Até hoje. Rita… Se estás a ler isto… Ainda me deves o 1,30€ do gelado.

CHOOOOOCLAAAAATEEEEE!

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